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08 novembro, 2006

O Maior Amor do Mundo


O Maior Amor do Mundo (O Maior Amor do Mundo, Brasil 2006).
Direção: Cacá Diegues
Com: José Wilker, Thaís Araújo, Marco Ricca, Sérgio Britto, Léa Garcia, Sérgio Magalhães, Déborah Evelyn e Max Fercondini.

Com uma linha cronológica pouco usada no cinema nacional e não linear, um elenco afiado, personagens críveis, um cotidiano por vezes frio e uma história com tom de fantasia, Cacá Diegues faz do seu 16º longa um paralelo entre razão e emoção, passado e futuro e sobre como as escolhas podem afetar a todos os que nos cercam como uma fileiras de dominós.

Antônio é um famoso astrofísico que vem para o Brasil receber uma homenagem do governo, mas fica sabendo que está com um tumor no cérebro e tem os dias contados. Munido de curiosidade, vai atrás da sua história pessoal, tentando descobrir quem foram seus pais biológicos e qual a verdade por trás de seu nascimento. Nessa jornada ele acaba por encontrar pessoas e situações que lhe são totalmente novas e é defrontado com uma realidade diferente da sua que afetará a maneira como ele irá encarar seus últimos dias de vida.

Nem preciso dizer que José Wilker está impecável na pele de um homem amargo, racional e que vê seu mundo abalado pela presença da morte. A busca pelo seu passado traz mudanças drásticas e questionamentos que não ficam nos diálogos, mas nas suas expressões. Thaís Araújo continua competente e faz uma ótima dupla com Wilker. Marco Ricca (no passado) e Sérgio Britto (no presente) roubam a cena ao fazer o pai de Antônio, um sujeito duro e mau-humorado que desconta no filho sua dor. E ainda temos uma ótima surpresa com o pequeno Sérgio Magalhães fazendo o Mosca, um menino do morro que ganha a vida vendendo drogas e fazendo rimas de rap para quem quiser ouvir. A única fora de sintonia é Anna Sophia Folch que deixa muito a desejar com sua interpretação.

O filme é intenso e tem uma bela fotografia com cores bem vivas, mas o pecado mora na edição. Tomadas indecifráveis, cortes abruptos e alguns furos deixam uma impressão de que o filme foi finalizado às pressas. Cacá Diegues impõe um ritmo incomum para uma história que retrata “O Maior Amor do Mundo”. Existem mais acertos do que erros, mas às vezes a pretensão de quem tem um nome conhecido fala mais alto do que a criatividade e o talento de alguns cineastas.

Um filme que mostra que o homem é sempre pequeno, mas se seu amor for grande, pode vir a ser eterno.

Indicado para apreciar, aprender, criticar e até para motivar.

1 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Surpresa...não pude me conter. Faltou pegar mais pesado com a menina ruim!Ela é uó.Bj

11:05 AM

 

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