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03 março, 2010

Amor Sem Escalas


Amor Sem Escalas (Up in the Air, EUA 2009).
Direção: Jason Reitman
Com: George Clooney, Vera Farmiga e Anna Kendrick.

Depois de um longo e tenebroso inverno, volto com as críticas. Aproveitando, vamos aos indicados ao Oscar!

Amor Sem Escalas seria o típico filme ianque que deveríamos passar longe, pois em seu roteiro traz coisas que não são comum ao nosso cotidiano. É aí que entra a genialidade de Jason Reitman em direcionar a história para um rumo com ao qual todos possam se conectar.

A história de Ryan Bingham (George Clooney, dando show faz tempo) é funcionário de uma empresa que é contratada para demitir outros funcionários. Vivendo entre quartos de hotéis, lobbys de aeroportos e empresas com funcionários hostis, ele constrói uma metodologia aplicada de vida que, em um primeiro instante, parece irreal. Exemplo: o jeito que ele arruma sua bagagem, como caminha nos aeroportos, quais filas de raio-x ele entra, benefícios de cliente vip e, principalmente, quantas milhas ele pode acumular com cada centavo gasto.Outro detalhe: veja que a maneira que ele lida com as mais diversas reações dos funcionários – de prantos a revolta – é fria e ao mesmo tempo reconfortante. O demitido quase agradece por estar sendo mandado embora.

Nessas idas e vindas ele conhece Alex Goran (Vera Farmiga), sua versão de saia. Até as relações sexuais de ambos são agendadas. No meio de tudo isso aparece Natalie, uma jovem funcionária que quer acabar com a função de Ryan através de demissões via tele conferencia. Mas ela não sabe que o buraco é um pouco mais embaixo e vai descobrir na prática como é lidar com essa profissão.

É difícil se identificar com um papel, mas realmente eu me vi na personagem de Clooney. A desconexão sentimental necessária para lidar com completos estranhos, a habilidade em se sentir bem em ambientes tão frios como hotéis e o vazio de chegar em casa depois de muito tempo viajando, são sentimentos que eu conheço bem. O que faz de Amor Sem Escalas uma história que me é familiar e necessária, por assim dizer.

Como sempre, Jason Reitman preza pelos diálogos inteligentes, atuações naturais e inspiradas e pequenas surpresas na trama. Um filme que passa mais rápido do que avião.

Indicado para ver antes, durante ou depois da viagem de negócios!

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