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03 maio, 2010

Ilha do Medo


Ilha do Medo (Shutter Island, 2010 EUA)
Direção: Martin Scorsese
Com: Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo, Ben Kingsley e Michelle Willians

Cada diretor tem uma assinatura. E quanto mais o tempo passa, mais evidente ficam esses cenários construídos por eles. Tim Burton e seus tons sombrios, Tarantino e seus diálogos afiados, Spielberg e os efeitos especiais realistas. Todos eles são a expressão do trabalho deles nas telas.

Nesse ponto, Martin Scorsese está sozinho. Você pode até falar da queda dele por filmes de gangues e como ele gosta de filmar em Nova York, mas admita: o cara se reinventa a cada filme. Nem sempre isso é bom, mas sempre é uma surpresa, assim como foi ver Ilha do Medo.

Primeiro vamos à história: dois policiais do FBI chegam a uma ilha hospício para investigar um desaparecimento de uma instituição que parece intransponível. Ao circular pelo ambiente, descobrem que nada parece ser o que é. Médicos com métodos controversos, experiências em pacientes e muitos mistérios. As investigações não seguem como os agentes previam, seus esforços são barrados pelo diretor do lugar e ainda por cima eles estão desarmados, pois o local não permite o porte de armas. Isso sem mencionar o fato de que naquela época, 1954, o FBI tinha sido fundado recentemente, portanto não tinha crédito perante a sociedade e outras forças policiais.

Quando eles desistem da investigação, ficam presos na ilha devido um furacão que ataca o lugar. Começa aí um jogo de gato e rato que vai te prender até o último minuto.

Com ambientes claustrofóbicos, trama com reviravoltas bem amarradas e utilizando de um estilo nada familiar, nosso velho Scorsese presenteia os espectadores com imagens surreais tiradas de devaneios parecidos com os do cinema europeu. Não que o thriller perca em qualidade, ao contrário: as cenas de suspense te deixam na ponta da cadeira. Leonardo di Caprio está confortável e lembrando muito seu amigo Tom Hanks com a sua habilidade de moldar o corpo para cada personagem e interpretar sem censura ou pudor. O elenco de apoio é mais estrelado que céu de brigadeiro, com destaque para o sempre incomparável Bem Kingsley.

Nessa nova empreitada, descobrimos um novo diretor, capaz de mudar seus hábitos em prol de uma boa história. E palmas ao mestre por saber como contá-la tão bem. O final é previsível, admito, mas não faz com que o filme perca em qualidade técnica ou estética.

Indicado para ver ao lado da gata e ganhar um abraço na hora do susto.

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