Um espaço destinado para espezinhar e avaliar filmes com comentários sarcásticos, bem-humorados e pessoais.

04 dezembro, 2011

Os Especialistas

Os Especialistas (Killer Elite, Austrália/USA 2011)
Direção: Gary McKendry
Com: Robert De Niro, Jason Statham e Clive Owen.

Sabe quando o filme começa com o anúncio “Baseado em fatos reais”?
Isso é um atrativo, uma jogada de marketing para chamar atenção. E sempre conseguem me pegar com esse argumento!

A historia mostra Danny (Statham) como um assassino profissional em missão junto ao seu mentor Hunter (De Niro). Após concluírem mais um trabalho, Danny decide que é hora de parar. Mas ele não conseguirá ficar de fora desse meio por muito tempo.

Hunter é sequestrado e Danny tem uma missão complicada para poder libertar o amigo e mestre: matar 3 ex-agentes da SAS (serviço secreto britânico) e fazer com que pareça acidente. Mas ele não sabe que Spike (Owen), outro ex-agente está em seu encalço e vai ser a pedra no seu sapato que pode impedi-lo.

Somos levados aos anos 80, cheio de conspirações governamentais e muita violência. O filme faz bom uso de todo visual da época e até mesmo os tons de cores nos levam a crer que foi rodado 30 anos atrás.

Antes que as moças protestem, explico: sim, é um filme cheio de tiros, cenas de lutas e ação frenética. Mas é uma história muito bem contada, de conteúdo interessante e cheia de reviravoltas. Temos os clássicos personagens especialistas em tudo que é tipo de arte marcial, armas e sempre prontos para escapar de qualquer situação.

Jason Statham nem se esforça para fazer o tipo durão e bom de briga. Clive Owen assusta com seu bigodinho e cicatrizes, mas sua interpretação de um sujeito dedicado a uma causa é ideal para criar a tensão e gerar a expectativa de que em algum momento ele vai explodir. A participação de Robert De Niro é excelente e ele parece se divertir ao empunhar metralhadoras e soltar frases de efeito.

Gary McKendry estreia bem como diretor de longas e faz bem em não colocar muita politica e acerta também em não verbalizar muito os motivos que movem todos na trama. Se tudo isso realmente aconteceu, da maneira que aconteceu, nunca saberemos, mas ao menos um filme muito divertido saiu de toda essa matança.

Indicado para ver e questionar esses “fatos reais”

03 dezembro, 2011

Um Dia


Um Dia (One Day, USA 2011)
Direção: Lone Scherfig
Com: Anne Hathaway e Jim Strugees.

Confesso que está difícil pensar em algo para escrever sobre esse filme. Não é ótimo, mas não é totalmente descartável. Algo me falta para descrever o que eu vi, mas vamos tentar.

Emma e Dexter se conhecem no dia 15 de julho de 1988 e, após uma noite de quase amor, ficam amigos e desenvolvem um relacionamento ao qual veremos o desenvolvimento através dos anos sempre que passarem por essa data. Ao longo de 20 anos somos inseridos no cotidiano deles e, anualmente veremos suas mudanças, dramas e o quanto uma pessoa que conhecemos ao acaso pode passar a ser tão importante em nossas vidas.

Temos em Emma uma mulher insegura, mas cheia de sonhos e planos de um futuro brilhante. Seu otimismo e bom humor fazem contraste com todas as suas regras e metas pré-estabelecidas. Dexter é o típico filhinho de papai que só quer fugir de responsabilidades. Somente o presente importa, satisfação imediata e como tirar proveito da vida ao máximo. Devido ao seu tom arrogante, chegamos muitas vezes a nos voltar contra esse temperamento.

A diretora dinamarquesa erra na mão. A direção de atores é insegura e faz com que a dupla de protagonistas se perca em suas interpretações. A história tem pontos interessantes – como a passagem dos anos, muitas vezes sem que ambos estejam juntos – mas falta àquela tensão, a paixão, algo a mais que conecte esses dois estranhos que são mais amigos que amantes.

Talvez o livro Um Dia funcione melhor. Não sei. Mas como disse no começo, não é algo para passar batido, nem um filme fundamental. É uma história de amor com altos e baixos, assim como a vida, com um final melancólico e um desenrolar um pouco frio.

Indicado para quem quiser tirar suas próprias conclusões.

Toda Forma de Amor


Toda Forma de Amor (Beginners, USA 2010)
Direção: Mike Mills
Com: Ewan McGregor, Christopher Plummer e Mélanie Laurent

E mais uma vez eu me sinto derrotado pelos títulos nacionais! Afinal, o nome do filme em inglês (Beginners – Iniciantes) faz muito mais sentido ao tema do filme do que qualquer outra tradução.

Oliver (Ewan McGregor) tem a vida totalmente alterada por inesperadas notícias: após a morte de sua mãe, seu pai Hal (Christopher Plummer dando show) que ficou casado por 44 anos, anuncia que é gay! E para piorar, está com câncer em estágio avançado.

O filme é mostrado em uma sequencia que vai e volta no tempo e nos faz entender um pouco da tristeza e desanimo estampados na cara de Oliver. Sua relação com a mãe, a maneira com que lida com os novos amigos e o namorado do pai, a falta de criatividade no trabalho, etc.

Através de seu pensamento único, de como era o céu, as estrelas e tudo mais em diferentes épocas, somos levados a entender um pouco da solidão que Oliver tem e o porque ele se acostumou com isso. Mas ele não esperava por conhecer Anna, alguém que vai tirá-lo desse modo automático de agir e sentir.

Toda Forma de Amor (argh!) é um longa muito bem construído, uma história rara contada de um ponto de vista ordinário. Os diálogos e a falta deles são ora surreais e por vezes comuns. Ewan McGregor nem se esforça para dar o tom melancólico que sua personagem pede e as cenas que ele conversa com o cachorro Arthur são impagáveis! Mélanie Laurent imprime uma beleza ao filme apenas com olhares e sorrisos. Mas é Christopher Plummer que rouba a cena com suas descobertas pessoais. O ator está tão confortável que vale a pena cada segundo dele na tela.

Um excelente trabalho de Mike Mills no roteiro e direção dessa pérola perdida nas locadoras. Como eu disse ao inicio, o título em inglês faz todo o sentido. Somos todos iniciantes em determinados assuntos e é na maneira como lidamos com novos aprendizados que diz o quanto estamos dispostos a agregar em nossas vidas.

Indicado para iniciantes de todas as idades!

PS: Segue o trailer como aperitivo:
http://www.youtube.com/watch?v=685zklWY_vU

20 novembro, 2011

Amor a Toda Prova

Amor a Toda Prova (Crazy, Stupid, Love - 2011, USA)
Com: Steve Carell, Julianne Moore, Ryan Gosling, Kevin Bacon e Marisa Tomei.

Louco. Quantas vezes não cometemos insanidades em nome do amor (ou na falta dede). Estupido. Sim, o amor pode ser por vezes estupido. Ou nossas atitudes diante dele. Não importa se estamos em um relacionamento de longa data ou apenas começando um romance: toda vez que nosso coração resolve tomar conta do cérebro, fazemos besteiras, agimos irracionalmente, enfim, deixamos de pensar com clareza.

O filme começa com o casal Cal e Emily jantando, conversando amenidades até que, para a sobremesa, ela pede o divórcio. E então o caos começa.

Eles se casaram ainda no colegial, passaram a maior parte da vida em um relacionamento e não sabem como estar sozinhos. Pra piorar, ela confessa ter traído ele com um colega de trabalho. Desesperado e sem saber o que fazer, Cal (Steve Carrel) segue para um bar onde, inevitavelmente, confessa a todo e qualquer estranho que sua mulher o traiu com David Lindhagen (Kevin Bacon). Até que ele chama a atenção de Jacob Palmer, interpretado aqui por um Ryan Gosling divertido e canastrão. Jacob, um mestre na arte da azaração, está cansado de ver Cal choramingar e decide que vai fazer com que ele recupere sua masculinidade. Só que ele nem imagina o quanto ainda tem que aprender sobre relacionamentos.

O filme mostra, com certo exagero, como relações amorosas podem fazer estragos com seres humanos. Todos os personagens nos mostram diferentes fases de amadurecimento sentimental pela qual passamos ao longo da vida. Robbie, filho do casal, está imperdível com sua paixão pré-adolescente pela babá Jessica – é daqui que saem as partes mais engraçadas e inspiradas do filme. Jessica, que por sua vez está apaixonada por Cal, apronta algumas que vão culminar em uma confusão onde tudo se explica, mas nada fica claro.

Com todas as suas imperfeições, ângulos seguros e sem ousadia, Crazy, Stupid, Love é um longa divertido que coloca atores como Julianne Moore, Kevin Bacon, Marisa Tomei Steve Carell e Ryan Gosling em papéis despretensiosos e ordinários. Não trará nenhuma conclusão brilhante sobre o que é o amor, o final não será surpreendente e nada fora do ordinário alterará sua rotina. Mas se quiser deixar o cinismo de lado por duas horas, vale a pena dar uma conferida.

Indicado para estúpidos de todas as idades.

31 outubro, 2011

O Palhaço

O Palhaço (O Palhaço, 2011 Brasil)
Direção: Selton Mello
Com: Selton Mello e Paulo José

Lembrei de uma conversa que tive com o amigo e ator Otavio Linhares em que eu perguntei o porquê dele não fazer comédias e ele respondeu: “Drama é cômico! Nos relacionamos tanto com os problemas dos dramas que damos risada deles.” Não tem frase melhor para descrever O Palhaço.

Benjamin (um Selton Mello contido e exuberante) é Pangaré, palhaço que faz dupla com Puro Sangue (Paulo José) no Circo Esperança. Juntos, além das palhaçadas de picadeiro, administram a trupe que viaja pelo interior do Brasil se apresentando e ganhando uns trocados.

Mas Benjamin já não acha tudo tão engraçado. Todos os problemas de dinheiro, infra-estrutura, locação, comida e até falta de um sutiã grande tem que ser resolvidos por ele. Percebemos nos olhos dele a dúvida entre seguir em frente ou largar tudo. Ele vaga como um fantasma entre os carismáticos e caricatos personagens do circo.

Em seu segundo longa, Selton Mello nos conta uma fabula distante e, ao mesmo tempo, perto de nossa realidade. As angustias e urgências de Benjamin falam através de seus olhos. Até sua hilária obsessão por um ventilador consegue nos tocar de alguma maneira.

Mas é na direção de atores que temos o ponto alto: os integrantes estão excelentes com suas interpretações ora exageradas, ora singelas; Paulo José esbanjando talento; os olhos da menina Larissa Manoela seguindo os passos de todos; as impagáveis participações especiais de Jackson Antunes, Tonico Pereira, Jorge Loredo, Danton Mello, Moacir Franco e Ferrugem. Preste atenção na trilha sonora que vai de Nelson Gonçalves a Nelson Ned!

Assista em um cinema. Ria de algumas piadas. Ria de algumas risadas de piadas que você não riu. Preste atenção em cada olhar dos personagens e da platéia. Não vai ser o melhor filme da sua vida, você não vai gargalhar como em uma boa comédia e não verterá rios de lágrimas. Mas o sorriso no canto da boca será inevitável.

Indicado para um domingo chuvoso!

24 janeiro, 2011

Um Lugar Qualquer


Um Lugar Qualquer (Somewhere, 2010 USA)
Direção: Sofia Coppola
Com: Stephen Dorff e Elle Fanning

Eu acredito na Sofia!

É sério! Acredito na visão de alguém que foi criada no meio artístico, não sabe o que é ter uma vida comum, portanto é a pessoa perfeita para falar sobre os dramas de atores, diretores, etc. Já tínhamos visto um pouco desse meio com o ator decadente que Bill Murray interpreta em Encontros e Desencontros.

O drama do ator de filmes de ação Johnny Marco pode nos parecer estranho. Afinal, ele passa seus dias em uma suíte de hotel vendo garotas fazer strip-tease e fica dando voltas na sua Ferrari a esmo. Isso não nos é familiar, mas também não pode ser menosprezado!

Ele é um homem perdido. E sabe disso! Sua única conexão com a realidade e com sentimentos de verdade é sua filha Cleo. E conforme ele se aproxima mais dela, mais ele vai entender o quanto sem sentido é a vida dele.

Stephen Dorff está ótimo no papel de ator cansado do sucesso. A química com Elle Fanning é ótima e nos faz acreditar nos laços paternos. Nesse filme, Sofia Coppola resolve contar de maneira realista o quão monótona e superficial é a vida de uma celebridade cinematográfica. O filme peca um pouco por falta de ritmo, mas depois de terminar você vai ver que a nossa vida também é assim.

Indicado para amantes do cinema independente ou atores com problemas emocionais!

500 Dias com Ela


500 Dias com Ela ((500) days of Summer, EUA 2009)
Direção: Marc Webb
Com: Joseph Gordon-Levitt, Zooey Deschanel e Chloe Moretz.

Essa não é uma história de amor, avisa o filme assim que começa. Será?

Demorei tanto para escrever sobre esse 500 Dias com Ela que tive que procurar nos arquivos deste blog para ver se não estava louco. Primeiro porque já pensei várias vezes no que escrever e, segundo, pois essa história me é familiar.

Menino encontra menina. Ou Tom encontra Summer. Ele acredita em amor, ela não! Ele é um sonhador e ela fatalista. Mas ambos gostam de The Smiths.

A história fica pulando entre os 500 dias aleatoriamente. Em um momento vemos a fase das brigas e logo em seguida voltamos ao mar de rosas que é o começo.

O diretor Marc Webb acerta ao chamar Joseph Gordon-Levitt e Zooey Deschanel para o casal principal. Ele é talento e angústia pura. Ela é a beleza leve e sem exageros que a história pede. A linguagem do filme é moderna e tem ritmo de vídeo clipe. A linha de tempo não linear e algumas cenas surreais dão ar Cult. Diálogos rápidos, inteligentes e alguns bobos e sem sentido - exatamente como em uma relação! A trilha sonora é impecável e cheia de novidades.

Finalmente mostraram como é o olhar do homem de hoje em dia sobre uma relação. É certo apontar o exagero que fazemos nesse tipo de situação, mas é bom ver que os roteiristas Scott Neustadter e Michael H. Weber (diretor) não menosprezaram, aumentaram ou deixaram as dores de Tom caricatas.

Indicado para quem já achou seu outono ou ainda está procurando. ;-)

Enterrado Vivo


Enterrado Vivo (Buried, 2010 Espanha)
Direção: Rodrigo Cortés
Com: Ryan Reynolds

Existem alguns indicadores de qualidade de filme que estão além das opiniões especializadas. Eu, por exemplo, sei que se estou sem sono e durmo durante um filme é sinal de que a história não está me agradando. Agora, se eu estou há dias sem dormir direito, cansado, tenho que acordar em 6 horas, coloco um filme para tentar dormir e fico ligado até acabar, isso é sinal de que prenderam minha atenção.

Impressionante como um homem dentro de um caixão, um enredo bem amarrado, ambiente angustiante e um bom ator sendo bem dirigido podem ser melhor do que milhões de dólares em efeitos especiais.

O filme mostra Paul Conroy, motorista de caminhão que trabalha no Iraque. Ele acorda enterrado e não sabe onde ou por que. Depois de se situar, Paul recebe uma ligação de seu sequestrador pedindo milhões para que ele seja desenterrado. Com apenas um celular e um isqueiro, ele vai ter que se virar antes que a bateria ou o ar acabem.

Todos os grandes estúdios se negaram a bancar esse filme, pois não tinha nenhuma cena fora do caixão. Mas o diretor Rodrigo Cortés não se intimidou ou desistiu. Realizou tudo em duas semanas e com 3 milhões de dólares de produtores pequenos. Ainda bem, pois assim somos nós que saímos ganhando.

Tudo foi feito com extrema maestria: direção, roteiro, iluminação, fotografia, cenografia e atuação. Ryan Reynolds esquece as caretas e entra fundo nesse drama do cara enterrado e desesperado para sair vivo desse pesadelo. Uma hora e trinta e cinco minutos de filme apenas com um rosto é vozes ao telefone parece um pouco chato de ver? Dê ao filme apenas 15 minutos e você não vai pregar os olhos até acabar.

Contra indicado a claustrofóbicos.

26 dezembro, 2010

Atração Perigosa


Atração Perigosa (The Town, 2010 USA)
Direção: Ben Affleck
Com: Ben Affleck, Rebecca Hall, Jon Hamm, Jeremy Renner, Blake Lively, Pete Postlethwaite, Chris Cooper, Titus Welliver

Eu já vi esse filme em algum lugar.

Será esse o pensamento que cruzará a sua cabeça ao ver Atração Perigosa (tradução horrenda para The Town). Mas dê uma chance ao filme.

A seqüência de abertura é muito bem feita, com os ladrões vestidos com caveiras ameaçadoras e muito bem armados. Claro que isso tudo ganha ênfase segundos antes com a frase inicial avisando aos espectadores que Charlestown, região de Boston, produziu mais assaltantes de banco e carro-forte que qualquer outra do mundo.

Após esse primeiro assalto, os ladrões descobrem que uma de suas vítimas mora bem perto deles e decidem vigiá-la de perto. Ben Affleck interpreta Doug, o cérebro da quadrilha que vai atrás da gerente Claire (Rebecca Hall). Ele se apaixona por ela e o resto já é clichê.

O que realmente vale a pena nesse filme são as seqüências que deixam você grudado na cadeira e as interpretações. Todas as cenas com Affleck e Jeremy Renner trazem tensão e dramaticidade onde ambos fazem um perfeito sotaque de descendentes de irlandeses. Boston é outro ponto alto do filme. A cidade é mostrada sem maquiagem e toda a força de sua cultura cristã está em cada parte do filme.

Boa narrativa, história coerente, porém previsível e uma excelente direção de atores faz desse longa um bom passatempo.

Indicado para substituir os filmes natalinos!

Demônio


Demônio (Devil, 2010 USA).
Direção: John Erick Dowdle
Com: Chris Messina, Logan Marshall-Green, Jenny O'Hara, Jacob Vargas, Geoffrey Arend, Bokeem Woodbine.

Eu não sou roteirista! Nem diretor de cinema. Mas eu tenho certeza que, com uma premissa dessas eu faria um filme melhor. Cinco estranhos ficam presos em um elevador e coisas estranhas começam a acontecer, pois um deles é o diabo. O resultado? Enfadonho!

Não sei nem por onde começar. A narração em off sobre uma lenda de como e quando o diabo aparecia é de dar nojo. Leia-se: é mal feita, terrivelmente interpretada e ainda por cima sem pé nem cabeça. Os personagens são caricatos, pois ninguém age daquela maneira inicial em um elevador parado. Nem a brincadeira de tentar descobrir qual deles é o “diacho” se sustenta por muito tempo.

As mortes são bobas, os diálogos sem sentido e a completa falta de habilidade do diretor não arranca sustos ou cria qualquer tipo de tensão necessária para fazer um filme de suspense. Nas mãos de Hitchcock viraria um clássico, de David Fincher o suspense do ano, mas John Erick Dowdle não consegue assustar nem a chapeuzinho com esse filme.

Eu indico esse filme, mas só em DVD. Assim você usa o disco como porta-copo.

03 maio, 2010

Ilha do Medo


Ilha do Medo (Shutter Island, 2010 EUA)
Direção: Martin Scorsese
Com: Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo, Ben Kingsley e Michelle Willians

Cada diretor tem uma assinatura. E quanto mais o tempo passa, mais evidente ficam esses cenários construídos por eles. Tim Burton e seus tons sombrios, Tarantino e seus diálogos afiados, Spielberg e os efeitos especiais realistas. Todos eles são a expressão do trabalho deles nas telas.

Nesse ponto, Martin Scorsese está sozinho. Você pode até falar da queda dele por filmes de gangues e como ele gosta de filmar em Nova York, mas admita: o cara se reinventa a cada filme. Nem sempre isso é bom, mas sempre é uma surpresa, assim como foi ver Ilha do Medo.

Primeiro vamos à história: dois policiais do FBI chegam a uma ilha hospício para investigar um desaparecimento de uma instituição que parece intransponível. Ao circular pelo ambiente, descobrem que nada parece ser o que é. Médicos com métodos controversos, experiências em pacientes e muitos mistérios. As investigações não seguem como os agentes previam, seus esforços são barrados pelo diretor do lugar e ainda por cima eles estão desarmados, pois o local não permite o porte de armas. Isso sem mencionar o fato de que naquela época, 1954, o FBI tinha sido fundado recentemente, portanto não tinha crédito perante a sociedade e outras forças policiais.

Quando eles desistem da investigação, ficam presos na ilha devido um furacão que ataca o lugar. Começa aí um jogo de gato e rato que vai te prender até o último minuto.

Com ambientes claustrofóbicos, trama com reviravoltas bem amarradas e utilizando de um estilo nada familiar, nosso velho Scorsese presenteia os espectadores com imagens surreais tiradas de devaneios parecidos com os do cinema europeu. Não que o thriller perca em qualidade, ao contrário: as cenas de suspense te deixam na ponta da cadeira. Leonardo di Caprio está confortável e lembrando muito seu amigo Tom Hanks com a sua habilidade de moldar o corpo para cada personagem e interpretar sem censura ou pudor. O elenco de apoio é mais estrelado que céu de brigadeiro, com destaque para o sempre incomparável Bem Kingsley.

Nessa nova empreitada, descobrimos um novo diretor, capaz de mudar seus hábitos em prol de uma boa história. E palmas ao mestre por saber como contá-la tão bem. O final é previsível, admito, mas não faz com que o filme perca em qualidade técnica ou estética.

Indicado para ver ao lado da gata e ganhar um abraço na hora do susto.