Um espaço destinado para espezinhar e avaliar filmes com comentários sarcásticos, bem-humorados e pessoais.

20 abril, 2006

V de Vingança


V de Vingança (V for Vendetta, Reino-Unido/Alemanha 2006).
Direção: James McTeigue
Roteiro: Andy Wachowski e Larry Wachowski, baseado nos personagens criados por David Lloyd e Alan Moore
Com: Natalie Portman, Hugo Weaving, Stephen Rea, John Hurt

"Remember, remember the 5th of November".

Pode uma música mudar uma geração? Uma obra de arte inspirar mudanças? Quem sabe um livro causar uma revolução? E um filme? Que poder teria este tipo de arte?

Bem, ao ver o filme V de Vingança, eu tive a impressão de voltar nos meus tempos de congressos estudantis em que o meu desejo era de mudar meu país. Não sei se essa era a intenção de Alan Moore quando escreveu a premiada Graphic Novel, nem ao menos sei se era a idéia dos Irmãos Wachowski quando adaptaram o roteiro para o cinema, mas dentro da salinha escura eu vislumbrei em várias pessoas o semblante de insatisfação, como se eles quisessem estar no lugar daqueles personagens, lutando por melhoras.

O personagem V, interpretado por um Hugo Weaving perfeito e destituído de vaidade, é muito forte e, por vezes incompreendido. Também pudera, ele luta com facas, se cobre com um manto negro e usa uma máscara que tem um sorriso desafiador. Sua justiça é feita à base de muito sangue, mortes e vinganças pessoais. Não é por acaso que seu filme favorito seja O Conde de Monte Cristo. Mas o que V gosta de salientar é que não existe um homem atrás daquela máscara, e sim, uma idéia. Uma idéia nunca morre, uma idéia não envelhece, uma idéia não tem medo, portanto não pode ser destruída.

E em Evey (representada aqui por Natalie Portman no auge do seu talento) ele encontra uma aliada poderosa, alguém que tem medo como qualquer um de nós, mas lá no fundo tem enterrado um espírito inquieto e insatisfeito. E ele sabe como trazer à tona essa força presente nela e em todos os londrinos que vivem encarcerados nas suas próprias casas, vítimas de um sistema que prega o terror e controla rigidamente os seus cidadãos, caçando e punindo severamente todos os contraventores, ou seja, homossexuais, mulçumanos, judeus, negros e qualquer um que se oponha ao seu regime.

"As pessoas não deveriam temer seu governo. O governo é que devia temer seu povo".

Usando e abusando deste lema, V começa uma mudança que vai além das explosões de prédios públicos ou do assassinato de membros poderosos do governo, ele começa uma mudança dentro de cada um que assiste seus atos, de cada membro dessa sociedade destituída de identidade, de cada indignado que se resignou ao anonimato por temer sua pátria. E é nessa mudança que ele se apóia e justifica cada ação que ele faz, por mais questionável que seja.

E assim, respondemos a pergunta inicial, com um post inflamado e apaixonado, mostramos que o cinema pode ser uma arte que inspira revoluções pessoais, alterações de humor e aguça a visão dos mais atentos.

"Remember, remember..."

A Era do Gelo 2


A Era do Gelo 2 (Iced Age 2, EUA 2006)
Direção: Carlos Saldanha
Com: Ray Romano - Diogo Vilela (Manfred), Denis Leary - Márcio Garcia (Diego), John Leguizamo - Tadeu Melo (Sid), Queen Latifah - Cláudia Gimenez (Ellie).

Many, Diego e Sid estão de volta para mais uma aventura na idade da pedra. A era do gelo está no fim e eles têm que correr para salvar-se do dilúvio em busca de uma espécie de Arca de Noé. Os gringos fizeram bem ao dar o filme nas mãos de um brazuca como Carlos Saldanha. O filme está com um acabamento melhor que o primeiro, o timing das piadas é sensacional, o ritmo é constante e quase não tem oscilações típicas do primeiro longa. As desventuras do esquilo Scrat em busca de sua preciosa noz estão de arrancar gargalhadas.

Tive o prazer de assistir em um horário que os pais estavam acompanhando os filhos e pude perceber como o filme diverte ambas as idades. Os momentos cômicos fizeram a criançada gargalhar no cinema e quando as piadinhas sarcásticas surgiam eram um deleite para os mais velhos.

A trupe agora é exposta a mais um problema: os mamutes estão perto da extinção. Desta premissa saem as melhores piadas do filme como a preguiça cantando músicas para tentar animar seu amigo Many e o surgimento de uma fêmea da espécie que acha que é um gambá! As situações em seguida são hilariantes e ainda contamos com os irmãos da mamute-gambá que
dão um show à parte.

Vale a pena ver uma, duas ou quantas vezes à criançada quiser.

17 abril, 2006

Elizabethtown


Tudo Acontece em Elizabethtown (Elizabethtown, EUA 2005)
Direção: Cameron Crowe
Com: Orlando Bloom, Kirsten Dunst, Susan Sarandon e Alec Baldwin.

Fiasco! Com esta palavra começa um longa que está muito longe do significado desta palavra. Vida de Solteiro, Jerry MaCguire e Tudo Acontece em Elizabethtown são exemplos de histórias sobre tipos comuns que, em algum momento da vida se deparam com o inesperado e tem que decidir qual caminho tomar e, não por coincidência, são obras de um dos diretores/roteiristas mais "cool" de Hollywood, Cameron Crowe.

Drew Baylor nos conduz sobre a sua história, seu fracasso, ou melhor: o seu fiasco. Designer de uma renomada marca de artigos esportivos, ele projeta um modelo totalmente novo e revolucionário de tênis que ninguém quer comprar. Fiasco! Não bastasse perder seu emprego, sua namorada simplesmente o ignora e, quando estava se preparando para dar um fim na sua existência, ele recebe um telefonema de sua irmã anunciando o falecimento de seu pai e que ele precisa ir até Elizabethonw para cuidar de todos os preparativos fúnebres.Aqui começa sua jornada em busca dos valores perdidos e de reflexões sobre sua existência, mas sem os clichês e pieguices típicos de roteiros como esse.

No vôo ele encontra Claire, uma aeromoça intrometida e divertida que resolve tirá-lo do seu momento introspectivo e mostrar uma nova perspectiva do mundo ao seu redor. Aos poucos, com o contato da família do pai e a convivência com Claire, Drew começa a se dar conta do que perdeu ao se dedicar tantos anos ao trabalho. A história leve, sem pretensões de grandeza, faz deste um filme honesto e com espírito jovem. No elenco temos um Orlando Bloom esbanjando talento, Kirsten Dunst dando vida a uma doce e, por vezes irritante, mocinha e ótimos momentos cômicos com Susan Sarandon fazendo a viúva atrapalhada emocionalmente com o ocorrido.

Eu indico para quem quer mudar a vida ou simplesmente assistir um bom filme.

Fiasco! Definitivamente, isso não se aplica aqui.

King Kong


King Kong (King Kong, EUA 2005)
Direção: Peter Jackson
Com: Naomi Watts, Jack Black e Adrien Brody

Eu sinto saudades da saga do Anel. E parece que eu não sou o único! Peter Jackson ainda não se desprendeu de seu pródigo filho, visto que em King-Kong ele nos faz lembrar das longas horas dentro da sala de cinema. Só que desta vez não vemos a luta do bem contra o mal em busca da salvação da Terra-Média e sim, um filme que tende ao drama e peca por se chamar aventura.

Nesta nova filmagem do clássico dos anos 30, entra em foco a decadência que tomou conta dos EUA durante a Grande Depressão e o desespero de seu povo para manter a integridade, mesmo faltando o que comer. Tenho que admitir que esta parte está bem representada pela sempre ótima Naomi Watts, no papel de uma atriz decadente que busca nos palcos a fé perdida nas ruas. Jack Black é um diretor de cinema sem talento ou noção de ética que tem um mapa da Ilha da Caveira e arrasta com ele (à custa de muita enganação) um roteirista para seu novo filme, interpretado aqui por um Adrien Brody sem o brilho de seu Pianista.

E assim como eu, Peter Jackson demora uma eternidade falando dos personagens que integram a trama, deixando todos nós aflitos e ansiosos pela aparição do gorilão. Mas quando o faz ele mostra porquê conseguiu 17 estatuetas com O Senhor dos Anéis. Os efeitos especiais são de primeira qualidade, as cenas de ação estão perfeitas e ele dá vida a uma criatura que por alguns segundos chegamos a creditar que possa mesmo existir.

A direção opta pelo drama entre Kong e a mocinha, insere metáforas sobre a superação e exalta os sonhos dos norte-americanos. O que não agradou muitos aos que foram ao cinema em busca de um filme de aventura. Os cento e oitenta minutos são um exagero para qualquer cinéfilo e massagens ao decorrer do filme podem ajudar os efeitos.

Recomendado para ocupar sua vida por três horas.