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30 abril, 2010

Estômago


Estômago (Estômago, Brasil 2009)
Direção: Marcos Jorge
Com: João Guilherme

Grande Raimundo Nonato! Não, eu não estou falando do personagem de Chico Anísio no antigo humorístico global. Mas sim de uma das personagem que já está na história do cinema nacional pela singularidade, carisma e originalidade.

O dito cujo acima, imigrante nordestino, chega na rodoviária de São Paulo como milhares de outros procurando emprego e o sonho de uma vida melhor. Faminto e sem nenhum dinheiro, entra em um bar bem fuleiro e pede um copo d’água e duas coxinhas. A aparência grotesca e nojenta da comida não intimida Raimundo que come com vontade. Mas na hora de pagar, como está sem nenhum tostão, o dono do bar faz com que ele limpe toda a sujeira do lugar. Nesse decorrer, aprende o oficio de cozinhar pastéis, salgados em geral e uma coxinha maravilhosa.

Seguimos essa história intercalando momentos de Raimundo aprendendo e se desenvolvendo na carreira de cozinheiro e em seus momentos na prisão tentando sobreviver ao cotidiano de uma cela com seus companheiros. Não sabemos ao certo porquê ele está nessa situação, mas ao decorrer do tempo vemos ele ganhar a confiança dos outros preços e subir na hierarquia da cela através de seus dotes culinários.

A ingenuidade de um homem comum, divertido e otimista, transformado em chef de cozinha e presidiário, nos leva a se envolver com a história de tal maneira que não conseguimos deixar de nos perguntar o que vai acontecer na próxima cena.

Nunca tinha ouvido falar do diretor Marcos Jorge, mas o trabalho feito na direção impressiona e a direção de elenco está primordial. Liderados por um João Guilherme inspirado, eficiente e longe do caricato, todo elenco agrada com suas interpretações reais e sujas. Méritos também para a ótima e desconhecida Fabiula Nascimento como a prostituta Iria, interesse romântico de Raimundo (ou como fica conhecido no presídio, o Alecrim).

Esse filme mostra como o cinema nacional tem muita qualidade e o quanto falta de visão aos produtores e indicadores de prêmios nesse país. Certamente os festivais europeus, americanos e talvez até o Oscar se renderiam à essa fabula urbana e realista sobre os desafios cotidianos de um sonhador.

Indicado para ver depois de comer!