Um espaço destinado para espezinhar e avaliar filmes com comentários sarcásticos, bem-humorados e pessoais.

06 setembro, 2008

Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto


Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto (Before the Devil Knows You’re Dead, EUA 2007).
Direção: Sidney Lumet.
Com: Ethan Hawke, Philip Seymour Hoffman, Albert Finney e Marisa Tomei.

Salve Sidney Lumet, sopro de criatividade e ousadia do cinema norte-americano. Nem sempre acertando, mas arriscando, este cineasta merece o respeito de todos por sua ousadia e inventividade diante da uma indústria que controla a maioria das idéias de seus criadores.

Neste novo longa temos mais uma conto que só pode ter saído de uma mente ilógica. Andy é um executivo que está atolado até o pescoço em falcatruas na empresa e convence seu irmão a roubar a loja de jóias dos próprios pais. Hank, que tem problemas financeiros devido às dívidas com pensão a ex-mulher e filha, topa, mas ao levar um amigo junto as coisas saem do controle e, sem querer a mãe de ambos acaba morta.

O filme é mostrado em flashbacks individuais que vai mostrando aos poucos como a história chegou a tal ponto.

O brilhante elenco tem atuações que há muito tempo não se via no cinema ianque! Philip Seymour Hoffman carrega sua estatueta do Oscar embaixo do braço e dá show ao interpretar com desespero contido, contrastando com a angústia explicita por Ethan Hawke. Albert Finney está melhor do que nunca no papel do pai que quer justiça e até a fraca Marisa Tomei merece atenção por seu papel.

Mais uma pequena obra-prima que sempre escapa aos olhares despercebidos.

Indicado para calar a boca dos que acham que só a Europa faz filmes de arte!

Apenas Uma Vez


Apenas Uma Vez (Once, Irlanda 2006).
Direção: John Carney
Com: Glen Hansard e Markéta Inglová.

Ouvi o nome deste filme na entrega do Oscar. Me interessei pelo prêmio de Melhor Canção, pois durante a interpretação dos músicos na cerimônia descobri que ambos eram os atores principais. Me veio uma pergunta à mente: “será que bons músicos são bons atores?”. Doce surpresa ao ver este singelo longa-metragem irlandês.


A história tem com tema o encontro casual de um músico que toca nas ruas de Dublin, Irlanda e conhece uma vendedora de flores enquanto toca suas músicas para os transeuntes. Ele é um homem de coração partido, pois sua ex o largou e ficou em Londres. Ela é uma imigrante da República Tcheca que sustenta sua filha e mãe trabalhando nas ruas.

O único clichê do filme é o amor que nasce entre os dois. Mesmo assim não é algo escancarado como telenovelas, mas algo sutil e pontuado por olhares e pequenos gestos.

A direção de John Carney opta pelo realismo e ângulos que mais lembram documentários, o que ajuda na construção de uma realidade pouco vista em romances feitos para a tela grande. Os atores atuam com exatidão e contenção necessárias para tornar crível uma história cotidiana que poderia se passar em qualquer canto do mundo.

Pérola do cinema independente, este filme passou desapercebido pelos salas de exibições no Brasil, mas torço por um caminho melhor no DVD.

Indicado para ver e ouvir com olhos, ouvidos e coração.

02 setembro, 2008

Paranoid Park


Paranoid Park (Paranoid Park, EUA 2007).
Direção: Gus Van Sant.
Com: Gabe Nevins.

Sensibilidade, estética e sutileza. É assim que podemos definir não só esse filme, mas a maioria dos longas de Gus Van Sant.

Aqui ele nos mostra Alex. Adolescente típico, mas não estereotipado, com todo o cotidiano inerente aos garotos de 16 anos que inclui tribo, namorada e descobertas. Ele é skatista que, junto com seu amigo Jared vai ao Paranoid Park, um parque construído por e para skatistas. Mas quando seu amigo viaja e ele decide ir ao lugar sozinho ele se mete em um acidente que acaba mudando o rumo de sua vida.

Mas nada disso é entregue de bandeja. A habilidade do diretor em costurar a história com beleza estética, trilha sonora peculiar e focando em olhares e pequenas reações dos personagens vai nos fazendo querer saber mais sobre o que está acontecendo. Ao optar por uma narração não-linear, vamos do futuro ao passado sem saber direito tudo o que aconteceu até poucos momentos antes do filme acabar.

Retratando a juventude com um olhar profundo, por vezes achamos o filme real demais. A interiorização da angustia do protagonista é contrastada com sua inocência. Mesmo que Gabe Nevins esteja fazendo papel dele mesmo é o olhar do cineasta que nos dá a dimensão do que se passa pela sua cabeça.

Filme quieto e que traz desconfortos.

Depois de Gênio Indomável, Encontrando Forrester e Paranoid Park, Gus Van Sant será sempre indicado.

Indicado para acompanhar uma boa história!

O Nevoeiro


O Nevoeiro (The Mist, EUA 2007).
Direção: Frank Darabont
Com: Thomas Jane, Marcia Gay Harden, Laurie Holden e Andre Braugher.

Demorei para escrever alguma coisa sobre esse filme. Foi difícil definir algumas questões: é um filme bom ou ruim? Eu gostei ou não? Vale a pena escrever sobre ele? Confesso que não cheguei a todas as respostas, mas vou tentar me fazer claro quanto a minha opinião sobre o filme.

A história é a seguinte: depois de uma tempestade que deixa uma pequena cidade interiorana sem energia, moradores correm para o supermercado para comprar suprimentos até que tudo se acerta. Só que enquanto estão por lá um misterioso nevoeiro chega deixando todos ilhados no mesmo ambiente.

Enquanto eles ficam presos, as diferentes personalidades vão ditando os rumos das horas seguintes. Uma tremenda oportunidade para explorar a psique dos personagens, mas não é o que acontece, focando apenas em alguns.

Por vezes parece um terror B, mas às vezes tem sacadas ótimas. As criaturas que saem do nevoeiro são forçadas, mas quando o terror foca nas reações das pessoas, aí o filme ganha em qualidade. Márcia Gay Harden está em excelente forma como a pregadora do apocalipse e até o fraco Thomas Jane ganha contornos humanos com seu papel de pai desesperado e herói relutante. Nas mãos de Alfred Hitchcock seria um clássico instantâneo.

Ainda está tudo muito vago? Veja o filme e me dê suas impressões!

Indicado para aqueles que gostam de finais marcantes.