Um espaço destinado para espezinhar e avaliar filmes com comentários sarcásticos, bem-humorados e pessoais.

02 maio, 2006

Peixe Grande


Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas (Big Fish, EUA 2003)*
Direção: Tim Burton
Com: Albert Finney, Ewan McGregor, Billy Crudup, Jessica Lange, Alison Lohman, Helena Bonham Carter e Danny DeVito.

Gostaria de avisar ao leitor desse blog que para falar deste filme eu serei totalmente parcial, pois ele é muito especial para a minha pessoa. Não esperem uma crítica isenta de sentimentos e sim, um texto com muitas opiniões pessoais.

Foi em julho de 2004 que eu tive o prazer de assistir ao filme de Tim Burton. Confesso que apertei o play sem maiores pretensões, pois como na maioria das vezes, eu já tinha lido bastante sobre ele e sabia o que esperar. Mas eu errei. O que vi foi uma das mais belas histórias contadas pelo cinema.

Willian Bloom tem um único problema na sua vida: seu pai. Desde pequeno Edward Bloom contou para seu filho suas histórias e aventuras vividas em toda a sua vida, mas como nunca soube o quanto disso era verdade e o quanto era fantasia, Will decidiu se afastar de seu pai por julgá-lo mentiroso. Três anos após o último encontro, ele volta para ver seu pai que está muito doente e é desse reencontro que começa uma história sobre amor, diferenças e laços que nem o tempo é capaz de separar.

Com muita magia vai surgindo na tela todo o caminho percorrido pelo jovem Ed Bloom em busca de desafios e sonhos. A fantasia fica a cargo dos cenários e ângulos que sempre nos mostram uma perspectiva diferente de cada tema e as metáforas estão em tudo ao redor e nos gestos dos personagens. Até mesmo as coisas que ficam subentendidas se tornam as mais belas.

Albert Finney mostra o motivo de ter uma estatueta dourada na prateleira de casa, Ewan McGregor continua sua trilha de bons filmes e ótimas interpretação e Jessica Lange continua bela e doce colorindo ainda mais a história. Tim Burton acerta ao convidar seus amigos, como Danny DeVito e sua musa Helena Bonham Carter para integrar o elenco. A trilha sonora está impecável e a produção capricha no visual do filme para transpor todo o imaginário do diretor em cena.

As pessoas amargas odiarão o filme, os literais o abominarão e os céticos o desprezarão. Agora se você tem em seu intimo a vontade de ver o que há de mais belo nas coisas, com certeza irá se emocionar com cada vírgula dessa aventura sobre a vida de dois homens tão diferentes e com tanto em comum.

Um filme para chorar, para rir e para ensinar algumas lições.

*(Excepcionalmente dedicado ao meu pai).

A Supremacia Bourne


A Supremacia Bourne (The Bourne Supremacy,EUA 2004)
Direção: Paul Greengrass
Com: Matt Damon, Franca Potente, Brian Cox, Julia Stiles e Joan Allen.

Já ouviu o ditado "não mexe com quem está quieto"? Então, é assim que começa a seqüência de Identidade Bourne. Depois de dar um jeito nos seus ex-chefes, Jason Bourne some com sua namorada Marie para alguma parte remota do globo e tenta recomeçar uma vida sem passado e sem destino fixo. Tudo isso até ser encontrado e tentarem matá-lo. É com essa prerrogativa que somos levados mais uma vez para o mundo da espionagem e das conspirações internacionais.

Agora, mais do que nunca o agente quer vingança, mas antes quer saber quem é de onde veio. Assim como o filme anterior, a CIA é retratada como uma instituição sem brilho, decadente e que comete diversos erros, ou seja, muito mais próximo da nossa realidade. Mas ao invés da inteligência norte-americana perseguir seu agente desgarrado, é ele que está à espreita deles. Mais preciso e confiante de si, ele agora quer entender o que aconteceu com sua vida e, enquanto faz isso tenta escapar daqueles que o querem ver morto e bem quieto.

A direção ficou por conta de Paul Greengrass, mas com a supervisão e acompanhamento do amigo e diretor do primeiro longa Doug Liman. As cenas de lutas e de perseguições estão mais bem acabadas. Matt Damon volta pela primeira vez na carreira a interpretar um mesmo personagem e o faz com a genialidade de sempre.

Em nenhum momento o filme decepciona, chegando às vezes a superar o primeiro. Nos resta agora esperar pela derradeira e última continuação dessa maravilhosa série de livros de Robert Ludlum. Que venha o jogo Bourne!

Indicado para quem viu o primeiro ou apenas gosta de um bom filme de ação.

A Identidade Bourne


A Identidade Bourne (The Bourne Identity, EUA 2002)
Direção: Doug Liman
Com: Matt Damon, Franka Potente, Clive Owen, Chris Cooper, Brian Cox e Julia Stiles.

Na minha opinião, Jason Bourne é o melhor agente secreto que já existiu. Nos livros e no cinema, o clima de realismo é passado com exatidão neste filme de orçamento pequeno, mas honesto. Ao construir a história de um ex-agente da CIA que é encontrado desmemoriado em pleno Mar Mediterrâneo, Doug Liman resgata um gênero banalizado por franquias como 007 e desgastado por outros longas de qualidade inferior.

Nesta primeira aventura, as situações pelas quais o personagem é envolvido, são repletas de realidade e adrenalina. As lutas são secas, precisas e sem as “firulas” típicas de Hollywood. Perseguições de carro acontecem em movimentadas ruas européias e, pasmem: quando eles colidem apenas amassam, ao invés de explodirem! Esse clima real favorece a construção de um personagem complexo, confuso emocionalmente e com um ações precisas e calculadas. A escolha acertada do elenco começa por seu protagonista. Aqui, Matt Damon sente-se em casa e mostra ao mundo porquê é um dos melhores atores de sua geração. Franka Potente de Corra Lola, Corra faz o par romântico, Chris Cooper, Clive Owen, Brian Cox e Julia Stiles completam o time.

É bem verdade que o filme acaba com muitas pontas soltas, mas sendo este a primeira adaptação de uma seqüência de três livros (A Identidade Bourne, A Supremacia Bourne e O Jogo Bourne) tudo fica mais aceitável. Mas o que é importante salientar é que um bom roteiro, uma direção firme e atores afiados, podem fazer um divertimento com mais cérebro e menos músculos, pois eu nunca imaginaria Jason Bourne nas mãos de Vin Diesel.

Eu indico para ver e apreciar!