Um espaço destinado para espezinhar e avaliar filmes com comentários sarcásticos, bem-humorados e pessoais.

20 fevereiro, 2008

Conduta de Risco


Conduta de Risco (Michael Clayton, EUA 2007)
Direção: Tony Gilroy

Com: George Clooney, Tom Wilkinson, Tilda Swinton, Sidney Pollack e Michael O’Keefe.


Uns aclamaram este como sendo um dos melhores suspenses do ano. Outros disseram que era superestimado. Agora a opinião mais importante: a minha! Arrogância? Não. Só não sou tão impressionável como uns e nem tão hipócrita como outros para diminuir o trabalho de outros.

Michael Clayton (nome do titulo original) é um desses funcionários que joga nas onze. Trabalha em uma grande empresa de advocacia e é a pessoa com contatos, conhecimento, jogo de cintura e coragem para fazer aqueles tipos de serviço que os chefes preferem não saber ou não fazer. O filme começa com ele saindo de uma mesa de poker para tirar um cliente de uma situação complicada. Na volta, ao parar o carro para ver alguns cavalos seu carro explode inexplicavelmente. Voltamos dias antes para entender tudo o que aconteceu até ali.

A tarefa de Michael é impedir que um dos principais advogados da empresa que trabalha entregue os negócios sujos de um importante cliente. Arthur quer denunciar todos os malefícios que os agrotóxicos da U/North tem causado a população. E graças a essa relação o filme acha um rumo.

Particularmente não acho que o filme se classifique como um suspense. É mais um tipo de filme-denúncia. Só que Fernando Meirelles já tinha feito um trabalho melhor no filme O Jardineiro Fiel.

Tom Wilkinson rouba a cena com seu advogado atormentado pela culpa e merece o Oscar. George Clooney está muito bem, mas dificilmente será melhor que Day-Lewys, Mortensen ou Deep para melhor ator. Agora o que me intriga é a indicação de Tilda Swinton para melhor atriz coadjuvante. Qual é o requisito? Ser feia? Ser muito feia? Ser estranha? Parecer que está com uma diarréia na iminência de explodir? Ainda não entendi...

Tony Gilroy constrói uma história interessante e uma boa estréia como diretor. Ainda veremos a melhora de seu trabalho. A trama é interessante e nas mãos de alguém mais experiente teria dado um dos melhores filmes da história. Mas ficamos com apenas um filme honesto.

Que cada um tire suas conclusões.

19 fevereiro, 2008

Senhores do Crime


Senhores do Crime (Eastern Promisses, EUA 2007).
Direção: David Cronenberg
Com: Viggo Mortensen, Naomi Watts e Vincent Cassel.

Continuando os indicados ao Oscar...
Estou sempre me preparando para assistir Marcas da Violência, pois marca a primeira parceria de David Cronenberg e Viggo Mortensen. Depois de assistir Senhores do Crime, ver o filme acima citado é praticamente uma obrigação!

O que essa história conta não é nenhuma novidade. O filme mostra os negócios sujos da máfia em uma grande cidade. O que muda aqui é que a máfia é russa e a cidade é Londres. Parece que só trocaram os nomes e endereços, mas não se engane. Aprendemos que cada bandido é cruel a sua maneira. Nessa imersão no submundo de prostituição infantil, tradições e mortes cruéis, a força das imagens fica à mercê das interpretações. O que, neste caso é um trunfo do filme.

Viggo Mortensen está irreconhecível como o motorista e capanga de um poderoso mafioso. Sua atuação foi a única razão para o filme aparecer no Oscar. Mais uma dessas injustiças da academia. Naomi Watts está bem no papel da parteira de um hospital que atende uma menina que morre ao dar à luz ao filho, trazendo à tona um diário com segredos sujos dos criminosos russos. Vincent Cassel brilha com seu Kirill e até esquecemos que ele é francês.

Sempre me importei em como a violência pode ser mostrada na tela e, tomando os devidos cuidados, ela é mostrada aqui com realismo que dá angústia. A já famosa seqüência de luta em uma sauna te deixa tenso e grudado na cadeira. O filme ainda consegue surpreender quando todos acham que já sacaram tudo.

Indico para os fãs de Martin Scorsese e de bons filmes da máfia.

12 fevereiro, 2008

Onde os Fracos Não Têm Vez


Onde os Fracos Não Têm Vez (No Country For Old Men, EUA 2007).
Direção: Joel & Ethan Coen.
Com: Tommy Lee Jones, Javier Bardem, Josh Brolin e Woody Harrelson.

Resolvi escrever sobre os indicados ao Oscar, mas não apenas me restringirei a categoria de melhor filme, mas sim aqueles que eu achar interessante. Vou começar pelo que eu assisti primeiro.

Esse é um filme muito, mas muito difícil mesmo de comentar.

Em uma conversa com um amigo meu eu ouço o seguinte comentário: “o filme é uma merda e é muito parado”. Dias depois eu ouço em uma conversa no metrô: “acho que é um dos melhores filmes que eu já vi”.

Polêmico é adequado, mas acho que ainda é pouco. Ao usar uma narrativa muito fora do comum (motivo de estranhamento para a maioria) e partindo de um ponto sem explicar nada do que acontece antes ou depois dos acontecimentos narrados, os Irmãos Coen dão uma verdadeira aula de cinema. Mas nem todos vêem dessa maneira.

A história começa com Llewelyn Moss caçando e, sem querer achando corpos, carros e uma maleta cheia de dólares, provavelmente de uma transação fracassada entre traficantes. Mas é claro que tanto dinheiro não vai ficar desaparecido por tanto tempo e aí que entra a alma do filme. Javier Bardem cria um vilão tão excêntrico e intrigante que chega a dar medo. Esse assassino vai em busca da maleta e deixa um rastro de sangue por onde passa com sua franja cômica e assustadora. Tommy Lee faz um xerife local que persegue ambos e, mesmo com a cara a experiência de uma vida toda, ainda se espanta com as coisas que vê.

É nesse contraste que a história conquista. Ao mostrar cenas de violência gratuita desde o primeiro minuto de filme, os diretores/roteiristas contrastam algo que não é novo em nossa sociedade, mas não menos presente. O xerife sabe que o mundo mudou, mas não se encaixa mais no padrão insano estabelecido, ao contrário do assassino errante.

Sem nenhum fundo musical, com cenas realistas e uma fotografia linda, Onde os Fracos Não Têm Vez mostra que uma história pode fazer sentido ou não, dependendo apenas de quem olha e como. Assim como nossas ações.

Indicado para ver e depois bater boca, aproveitar ou resmungar!

Meu Nome Não é Johnny


Meu Nome Não é Johnny (Meu Nome Não é Johnny, Brasil 2008).
Direção: Mauro Lima
Com: Selton Mello, Cléo Pires, Júlia Lemmertz, Cássia Kiss, Eva Todor e Ângelo Paes Leme.

Não conhecia nem de longe a história de João Guilherme Estrella. Confesso que nunca tinha ouvido falar do diretor Mauro Lima. Eu ainda não sabia o que eu estava perdendo.

Vamos começar com o sujeito que dá nome ao filme. João era popular. Mas não do jeito americano, ou seja, babaca, arrogante e capitão do time de futebol. Não. João é aquele cara que todo mundo sente que amigo intimo. Um cara que te acolhe, conversa, te abraça e faz questão de saber se está tudo bem, mesmo tendo acabado de te conhecer. Começou a fumar maconha desde cedo e, sendo o mais descolado e simpático, João se ofereceu para comprar as drogas para seus amigos e ele mesmo.

Claro que a ótima atuação de Selton Mello alivia a culpa do personagem. Mas e aí que o diretor mostra ao que veio. Mesmo relatando um cara legal, com tiradas engraçadas, Mauro Lima constrói a imagem de alguém sem limites e que vê no trafico um meio de viver a vida sem freios. Não é o carisma que faz com que você goste de João e, sim, a dubiedade. Ele só quer diversão. Não importa como.

É claro que não é nenhuma apologia, nem uma critica severa a esse estilo de vida. O longa apenas se presta ao papel de contar a história com imparcialidade e leveza, mas sempre com um certa tristeza.

O cinema nacional caminha para sua melhor forma e tenta fugir das fórmulas fáceis e padronizada (mesmo que o padrão seja tupiniquim) para contar histórias cada vez mais interessantes e com originalidade. E Meu Nome Não é Johnny representa o melhor dessa nova empreitada.

Indicado para ver no cinema, pois dvd brasileiro ainda demora para chegar na locadora!

11 fevereiro, 2008

Não Por Acaso


Não Por Acaso (Não Por Acaso, Brasil 2007)
Direção: Phillippe Barcinski
Com: Rodrigo Santoro, Leonardo Medeiros, Letícia Sabatella, Graziella Moretto e Cássia Kiss.

A premissa do filme é básica. Dois segundos podem mudar uma vida. No caso do filme, quatro vidas. A história é, em teoria, banal: um acidente de trânsito muda completamente a rotina de dois homens que tem as vidas sob controle e dentro de uma realidade tomada por rotinas metódicas.

Bem, explicando assim parece um filme comum com uma trama simples. Ao contrário, Não Por Acaso é um dos mais belos relatos do mundo masculino e de como visualmente um filme pode se expressar sem a necessidade das palavras.

Eu sou chato. Não suporto aquelas conversas intermináveis sobre os significados de tal e tal cena em determinado filme, mas mesmo assim prestei atenção em muitas das metáforas visuais do longa de Phillippe Barcinski. Nunca dou dicas em relação aos filmes, mas prestem atenção aos detalhes visuais de cada cena.

Rodrigo Santoro se transforma no simples jogador de sinuca que herdou a oficina do pai na qual constrói as mesas para o seu jogo controlado. Leonardo Medeiros, sempre ótimo, esta as voltas com um engenheiro de trafego na cidade com o trânsito mais caótico do Brasil, São Paulo.
É nesse ponto em que esse diretor carioca ganha a minha simpatia. Ao olhar para São Paulo como alguém de fora, ele capta as belezas já desapercebidas pelos moradores e mostra a cidade como um ser vivo, com defeitos e qualidades.

Me pego pensando que quero rever o filme. Esse é um filme que fala de mudanças impostas pela vida e a maneira como os homens lidam com a dor, a perda e a solidão.

Um filme indicado para quem gosta de entender sem ter que explicar.

O Ultimato Bourne


O Ultimato Bourne (The Bourne Ultimate, EUA 2007)
Direção: Paul Greengrass
Com: Marr Damon, Joan Allen, Julia Stiles e Albert Finney.

Nas várias criticas que eu li a respeito deste filme, reparei que todas elogiam este como sendo um filme de ação inteligente. Pena que esses "manés" só descobriram isso agora, na última parte da saga de Jason Bourne pelo mundo sujo da espionagem.

Sinceramente, não sei o que Robert Lundlum pensava ao inventar um personagem tão ambíguo. Afinal de contas ele é o herói, mas também um assassino. Nem a menos sei como ele sabe tanto sobre a desorganização da CIA. Mas o fato é que, mesmo sem saber como ele imaginava seu personagem principal, Matt Damon deu corpo e fúria a esse personagem tão complexo. (Abrindo apenas um parêntese, este é o único personagem que o ator fez questão de interpretar três vezes em uma carreira em que já foi dirigido pelos grandes diretores do cinema como Francis Ford Coppola, Terry Gilliam, Gus Van Sant, Robert De Niro, Anthony Minghella, os Irmãos Coen entre outros.)

Voltando ao filme.
Acho que a escolha do pôster para esta critica foi adequada. Afinal, neste filme é ele quem dá as cartas e quem persegue. Ele deixa de lado os assassinos enviados pela agencia e se concentre no que realmente importa: descobrir quem é ele realmente, o que era o projeto Treadstone e como ele entrou nesse mundo?

Paul Greengrass tem o talento e a loucura necessária para mostrar a historia do desmemoriado assassino que viaja para os quarto cantos do globo em busca da sua identidade e que age apenas por instinto. Toda a edição de imagem deixa o espectador grudado e o faz sentir a desorientação passada dentro e fora da cabeça de Jason Bourne.

Um filme mutio bem construído, com uma inteligência fora do comum e interpretações verossímeis fazem do Ultimato Bourne um filme quase perfeito. Quase, apenas para aqueles que não viram os dois primeiros.

Indicado para assistir e soltar exclamações como: “nossa”, “caraca”, “ô loco”...