Um espaço destinado para espezinhar e avaliar filmes com comentários sarcásticos, bem-humorados e pessoais.

24 janeiro, 2011

Um Lugar Qualquer


Um Lugar Qualquer (Somewhere, 2010 USA)
Direção: Sofia Coppola
Com: Stephen Dorff e Elle Fanning

Eu acredito na Sofia!

É sério! Acredito na visão de alguém que foi criada no meio artístico, não sabe o que é ter uma vida comum, portanto é a pessoa perfeita para falar sobre os dramas de atores, diretores, etc. Já tínhamos visto um pouco desse meio com o ator decadente que Bill Murray interpreta em Encontros e Desencontros.

O drama do ator de filmes de ação Johnny Marco pode nos parecer estranho. Afinal, ele passa seus dias em uma suíte de hotel vendo garotas fazer strip-tease e fica dando voltas na sua Ferrari a esmo. Isso não nos é familiar, mas também não pode ser menosprezado!

Ele é um homem perdido. E sabe disso! Sua única conexão com a realidade e com sentimentos de verdade é sua filha Cleo. E conforme ele se aproxima mais dela, mais ele vai entender o quanto sem sentido é a vida dele.

Stephen Dorff está ótimo no papel de ator cansado do sucesso. A química com Elle Fanning é ótima e nos faz acreditar nos laços paternos. Nesse filme, Sofia Coppola resolve contar de maneira realista o quão monótona e superficial é a vida de uma celebridade cinematográfica. O filme peca um pouco por falta de ritmo, mas depois de terminar você vai ver que a nossa vida também é assim.

Indicado para amantes do cinema independente ou atores com problemas emocionais!

500 Dias com Ela


500 Dias com Ela ((500) days of Summer, EUA 2009)
Direção: Marc Webb
Com: Joseph Gordon-Levitt, Zooey Deschanel e Chloe Moretz.

Essa não é uma história de amor, avisa o filme assim que começa. Será?

Demorei tanto para escrever sobre esse 500 Dias com Ela que tive que procurar nos arquivos deste blog para ver se não estava louco. Primeiro porque já pensei várias vezes no que escrever e, segundo, pois essa história me é familiar.

Menino encontra menina. Ou Tom encontra Summer. Ele acredita em amor, ela não! Ele é um sonhador e ela fatalista. Mas ambos gostam de The Smiths.

A história fica pulando entre os 500 dias aleatoriamente. Em um momento vemos a fase das brigas e logo em seguida voltamos ao mar de rosas que é o começo.

O diretor Marc Webb acerta ao chamar Joseph Gordon-Levitt e Zooey Deschanel para o casal principal. Ele é talento e angústia pura. Ela é a beleza leve e sem exageros que a história pede. A linguagem do filme é moderna e tem ritmo de vídeo clipe. A linha de tempo não linear e algumas cenas surreais dão ar Cult. Diálogos rápidos, inteligentes e alguns bobos e sem sentido - exatamente como em uma relação! A trilha sonora é impecável e cheia de novidades.

Finalmente mostraram como é o olhar do homem de hoje em dia sobre uma relação. É certo apontar o exagero que fazemos nesse tipo de situação, mas é bom ver que os roteiristas Scott Neustadter e Michael H. Weber (diretor) não menosprezaram, aumentaram ou deixaram as dores de Tom caricatas.

Indicado para quem já achou seu outono ou ainda está procurando. ;-)

Enterrado Vivo


Enterrado Vivo (Buried, 2010 Espanha)
Direção: Rodrigo Cortés
Com: Ryan Reynolds

Existem alguns indicadores de qualidade de filme que estão além das opiniões especializadas. Eu, por exemplo, sei que se estou sem sono e durmo durante um filme é sinal de que a história não está me agradando. Agora, se eu estou há dias sem dormir direito, cansado, tenho que acordar em 6 horas, coloco um filme para tentar dormir e fico ligado até acabar, isso é sinal de que prenderam minha atenção.

Impressionante como um homem dentro de um caixão, um enredo bem amarrado, ambiente angustiante e um bom ator sendo bem dirigido podem ser melhor do que milhões de dólares em efeitos especiais.

O filme mostra Paul Conroy, motorista de caminhão que trabalha no Iraque. Ele acorda enterrado e não sabe onde ou por que. Depois de se situar, Paul recebe uma ligação de seu sequestrador pedindo milhões para que ele seja desenterrado. Com apenas um celular e um isqueiro, ele vai ter que se virar antes que a bateria ou o ar acabem.

Todos os grandes estúdios se negaram a bancar esse filme, pois não tinha nenhuma cena fora do caixão. Mas o diretor Rodrigo Cortés não se intimidou ou desistiu. Realizou tudo em duas semanas e com 3 milhões de dólares de produtores pequenos. Ainda bem, pois assim somos nós que saímos ganhando.

Tudo foi feito com extrema maestria: direção, roteiro, iluminação, fotografia, cenografia e atuação. Ryan Reynolds esquece as caretas e entra fundo nesse drama do cara enterrado e desesperado para sair vivo desse pesadelo. Uma hora e trinta e cinco minutos de filme apenas com um rosto é vozes ao telefone parece um pouco chato de ver? Dê ao filme apenas 15 minutos e você não vai pregar os olhos até acabar.

Contra indicado a claustrofóbicos.